SENSAÇÃO

São Paulo, 19 de Maio de 2021

Somos como a semente da paineira, que estava presa dentro do fruto, pendurada na árvore. Ela nasceu ali, presa, fechada em seu mundo. Tudo que conhecia era aquele fruto e as sementes ao seu lado. Até que o fruto amadureceu, caiu e partiu. Foi doloroso o impacto com o chão. Mas agora a semente está solta, voando ao sabor do vento. Sem destino. Sem saber onde irá parar, se será um terreno fértil onde virará uma linda e frondosa árvore ou se cairá no asfalto e ainda dependerá da água ou do vento para levá-la até a terra. Mas sabe seu destino, que é gerar uma nova árvore.

Por outro lado somos como um cachorro de corrida. Vemos o coelho e queremos a todo custo alcançá-lo. Vemos os cachorros ao lado, atrás e na frente. Mas não é apenas uma corrida de velocidade. É uma corrida com obstáculos. Temos que saltar poços fundos, temos que desviar de cercas e ainda resistir as distrações colocadas no caminho que fazem com que pensemos em parar e apenas aproveitar o que está ali, agora, sem querer correr atrás do coelho. A cada vez que paramos, mais longe o coelho fica.

Fico em dúvida se o que mais importa é pegar o coelho ou fazer uma boa corrida. Ou se apenas nos deixar levar como a semente de paineira.

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