São Paulo, 31 de Dezembro de 2021

31 de dezembro de 2021. Todas minhas certezas caíram.
Não!
Apenas uma parte delas.
Olhando para dentro de mim encontro rotas antes adormecidas. É hora de retomar velhos sonhos e velhos projetos, mas também de estar aberto ao novo.
De onde vim, Naquele lugar do espaço-tempo, não estava tão feliz quanto eu lutava para ser. Me faltava algo. Hoje também falta. São coisas diferentes, mas continua faltando.
Hoje posso ir atrás daquilo que eu não tinha. Mas não tenho o que tinha, e isso me corrói. O nome disso é saudade. E ela tem me consumido nos últimos dias.
Talvez seja hora de seguir adiante. Mas isso significa aceitar o fim. E com ele, a derrota.
Não está sendo fácil. Me sinto só. E não apenas por estar, na prática, sozinho. Me sinto só em um mar de seres pouco humanos. Me sinto diferente. Me sinto um ser de outro universo.
Respeito, amor, carinho, desejo, fidelidade, vontade de conversar e estar junto.
Excesso? Porquê?
Devemos fazer o que não queremos para ter o que queremos lá na frente? Vou arriscar a felicidade de agora para mover as peças do xadrez? Não dá! Existe o outro jogador. E o que ele fará é imprevisível.
Até mesmo derrubar o rei.
Por isso me sinto mais fora da curva do que nunca. Como se o que eu sou não fosse correto. Me sinto julgado. E condenado. Sendo minha pena estar onde estou física e psicologicamente.
Quero seguir em frente. Estou seguindo, com medo mesmo. Não é o medo do futuro que me toma. É o medo do passado, dos erros, das feridas que desferi e das que me acometeram. Medo de tomar escolhas. Mas ainda prefiro errar tomando escolhas do que não escolher. Por isso sigo. Apenas vou. Pensando muito menos que antes, agindo muito mais do que antes.
Não quero nunca mais voltar a sentir a tristeza, angústia e ansiedade que eu sentia. Fui libertado desses sentimentos e não quero voltar para aquela peça ao qual eu era um dos atores principais.
O próximo roteiro está sendo escrito enquanto atuo. Talvez sejam os mesmos atores em outros papéis. Talvez outros atores em outros papéis. Mas nunca serão os mesmos atores nos mesmos papéis. Não mais.
A turnê acabou. Sobrou o figurino, que talvez não sirva para nova peça. Algumas partes do cenário podem ser reaproveitadas. O teatro já foi até alugado.
Quero muito seguir em frente.
Só não sei ainda pra onde.
FOTO POR Simy27|PIXABAY