São Paulo, 8 de Novembro de 2021

Querido(a) amigo(a) leitor(a). Mais uma vez, é à você que eu recorro. Não sei quem você é. Não sei nem se você, hoje, no momento em que escrevo esse texto, existe. Mas novamente preciso jogar as palavras ao sabor do vento digital, que as leva pela infinidade da rede.
Hoje agradeço por usar mascara. Ainda usamos por determinação do governo, devido a pandemia de COVID 19. Mas ela trás um benefício: Esconde metade do rosto. Aprendemos a “ler” as pessoas pelos olhos. Mas é uma informação “pela metade”. Não mostrar a outra metade permite esconder parte dos sentimentos.
Hoje não quero sorrir. Não quero rir. Hoje vou apenas “sobreviver”. Trabalhar, comer, trabalhar, fazer algo para passar o tempo, dormir.
Continuo sem me arrepender das escolhas que fiz. Tenho lido muitas coisas e escutando muitas pessoas sobre o “final de um relacionamento amoroso”. Tudo me parece vago. Tudo me parece distante. Tudo me parece aparentemente “auto convencimento”.
É claro que entendo que “vai passar”. O que me deixa perdido é não saber se ela ainda me ama. E acredito que nem ela saiba. Foram 21 anos. 21 anos de cumplicidade, amizade, carinho, afeto e sonhos.
Eu ainda à amo. O que isso significa? Significa que eu ainda quero morar com ela, dividir o dia a dia, construir um futuro juntos. Ainda quero ter novos sonhos, novos projetos, novos rumos com ela. O afastamento e a distancia ainda são muito doloridos.
Tenho poucos, mas bons amigos. Que se preocupam de verdade em como eu estou. Alguns são familiares, outros são “família que a vida nos deu”. Todos tem me ajudado. Me dado apoio. Me dado suporte. Mas nada nem ninguém consegue preencher esse vazio no peito. Um lugar ocupado apenas por ela.
Todos os textos e depoimentos dizem que isso passa. Acredito mesmo. Mas até lá, a vida terá menos cores, terá menos sabores, terá menos perfume.
Ela vai. Vai mais para longe, fisicamente. Não longe suficiente para eu deixar de estar presente, se necessário. Mas vai. E isso está doendo. Eu queria ir junto. Eu queria construir uma nova vida em outro lugar com ela. Ia ser uma experiência muito boa. Mas não é o que ela quer. Ela quer ficar “só” para se reencontrar antes de pensar em ter alguém do lado dela novamente. Eu não estou perdido de mim mesmo. Então estamos em pontos muito diferentes da vida.
Eu dei, dou e darei todo apoio que ela precisar. Seja físico ou psicológico. Pois a amo perdidamente, e quero que ela seja feliz. Um dia, quando ela estiver forte, firme, segura, feliz novamente, ai eu poderei seguir em paz. Até lá, meu desejo é estar perto. O quanto puder. O quanto ela permitir.
Hoje quero chorar. Mas de nada adiantará. Então vou trabalhar. Pois assim, o tempo passa. E tudo que eu preciso é que o tempo passe. Já que o que eu desejo, eu não posso ter.
FOTO POR PCB-Tech|PIXABAY