São Paulo, 20 de Outubro de 2021

O que assusta mais? Quando descobrimos que algo terá “fim”? Quando nos damos por conta que o fim está “próximo”? Quando o fim efetivamente ocorre? Ou quando lembramos do passado e percebemos que o fim já aconteceu?
Poucas coisas tem no seu “fim” um ponto. Muitas delas são linhas que se desfazem com o tempo. E mesmo o que tem “fim” no ato em si, tem continuidade na memória.
Hoje sei que um próximo passo está muito próximo. Uma passo que agora me parece inevitável. Sei que nada é absoluto, e que tudo pode mudar num piscar de olhos. Mas seguindo o curso natural, um próximo passo está muito próximo.
Não quero. E que de adianta? Não quero dar o próximo passo não pelo passo em si. Não quero pelo que ele representa. O fim de uma jornada de anos. Uma linda jornada. Uma jornada que eu achei que nunca terminaria. Dar esse passo será a ratificação do fim dessa fase, e o começo de outra.
De que adianta não querer dar o passo, se ficar “parado” já não é mais a mesma coisa? Imagine que vc está parado. Mas tudo ao seu redor mudou. Você é aquela linda casa com enormes jardins, rodeadas de muito espaço livre e boas casas vizinhas, que não são próximas uma das outras. Você está ali, ficada, mas quando se dá por conta, não existe mais nada ao seu redor, apenas prédios altos, movimento, barulho e poluição. É hora de sair dali. Ficar não é mais a mesma coisa, e você sabe disso. E não poderá destruir tudo para voltar ao que era antes. Passou.
Você tem algumas escolhas. Ficar ali até ser “insuportável”. Sair dali e procurar um novo lugar, que seja tão bom quanto era o que tinha antes, ou se transformar em um prédio, e um deles. De qualquer forma, nada será como antes.
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