LOUCO SILÊNCIO

São Paulo, 17 de Junho de 2022

Estou há semanas para escrever essa reflexão pessoal sobre o silêncio. Percebi o quanto eu não respeito o silêncio que tanto prezo e acho importante.  Continuarei na busca incansável pelo equilíbrio. Mas onde mora esse louco chamado “equilíbrio”?

Acho que ele nem sequer existe! Tudo lenda! Inventado para que tenhamos algo para buscar por toda a eternidade. Não que ele tenha sido inventando por alguém específico, nem por uma força superior. Foi inventado por nós mesmo. Seres imperfeitos, mutantes, mutáveis e que buscam algo inalcançável.

A vida é incrivelmente bela por ser como é. Buscar sempre mais faz que tenhamos a energia renovada dia após dia. Cada um sabe em seu íntimo o que é o “mais” que busca. E esse “mais” é diferente de pessoa para pessoa. um desses “mais” que busco é o equilíbrio no pêndulo vibrante entre o silêncio e a som.

São dezenas de aspectos que podem ser observados nesse mesmo tema: os tipos de sons externos que chegam até nós (músicas, falas, carros, eletricidade, natureza etc), os sons internos (as vozes dentro de nós), os sons da comunicação (a comunicação verbal e não verbal) entre outros.

Não possuo padrão em relação à nenhum deles. Hoje sou arredio aos sons desequilibrados, sem harmonia, em diferentes frequências simultâneas (uma praça de alimentação de shopping lotada por exemplo). Mas tenho enormes variações quanto a necessidade de ter ou não uma música tocando ou o quanto é bom ou não estar em “máximo silêncio possível”. É uma variação constante entre a necessidade do silêncio e do som, inclusive da fala, até mesmo da minha.

Os sons internos à minha mente estão um pouco mais controlados. As vozes se aquietaram, me deram paz. Uma paz maravilhosa, que espero nunca mais deixar de ter.

Mas os sons da comunicação estão em trabalho constante. Falo muito. Escrevo muito. Talvez seja hora de reduzir a velocidade e quantidade. Talvez seja a hora de aprender que nem tudo precisa ser escrito ou falado. Que a fluidez da vida se encarrega muitas vezes de carregar as mensagens e clarear as respostas.

Porém nada disso exime minha vontade, minha necessidade até, de ser sincero, leal, real, verdadeiro, honesto, compreendido e compreender.

O silêncio entre partes leva a uma “criatividade” surreal. Quando você pergunta algo e não obtém a resposta, ou obtém uma meia resposta, ou ainda uma resposta “vaga”, abre-se na mente a possibilidade de imaginar o que não foi dito. É onde começam os problemas.

Da mesma forma o excesso não é saudável. Perguntar demais, questionar demais, dizer demais, até mesmo elogiar demais, paparicar demais, tudo isso é “de mais”. É onde muitas vezes o silêncio seria tão precioso.

Ser honesto consigo mesmo é a base para qualquer relacionamento. Sendo honesto com você, você será também com o outro. A força de um relacionamento (pais, irmãos, amigos, casal) construído sob o alicerce da sinceridade e honestidade leva a um relacionamento duradouro.

O som da comunicação precisa ser real. Não pode ser medido, controlado, estrangulado. Não conheço pior sensação do que a de ter que ficar escolhendo e controlando as palavras, frases e momentos para dizer ou não algo. Não dá! É desesperador, enlouquecedor! Me mata por dentro!

Preciso falar, e quem ouvir, por favor, não imagine, não deduza, não conclua. Apenas converse, pergunte, esclareça. Uma vez que você descobre como é bom ser um pouco mais “sem filtro” e não ser julgado ou condenado por isso, quando você percebe que é possível dizer as coisas “na lata” e a pessoa que escuta vai devolver “na lata”, sem melindre ou ficar imaginando o que “não está sendo dito” ou o que está “querendo dizer”, e tudo fica claro em segundos, a vida se torna bem melhor! Por hora, isso ainda é algo extremamente isolado em minha vida, porém, está sendo uma experiência enriquecedora. Espero tornar algo mais frequente.

Preciso aprender. Aprender que a presença em silêncio também é valiosa. Que as vozes que aquietei em minha mente, vozes da incerteza, da insegurança, da ansiedade, elas devem permanecer caladas inclusive quando eu estiver em silêncio, seja um silêncio sozinho ou um silêncio acompanhado. O silêncio não traz sempre consigo a insatisfação, tristeza, melancolia ou dor. As vezes o silêncio é belo, contemplativo, renovador. As vezes queremos apenas estar juntos em silêncio. As vezes queremos apenas estar sozinhos em silêncio. Apenas porque o silêncio também nos acalenta. E todos precisam do seu tempo. SEU tempo, e não apenas “NOSSO” tempo. Uma difícil lição que aprendi.

Permanecerei na busca pelo equilíbrio. Mesmo sabendo o endereço onde esse louco vive.

Dentro de mim.

IMAGEM POR Ivan Samkov | PEXELS

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