São Paulo, 09 de Maio de 2022

Sinto como se tivesse um bilhão de faíscas no motor de minha mente, todas ativadas simultaneamente a cada fração de segundo.
E isso não deixa de ser verdade.
Olho para trás e vejo o passado. Que bom! Isso significa que vivi! E vivi bem. Vivi feliz. As fotos nos recordam momentos que vivemos. Elas estão ali para isso. Sejam impressas ou digitais, elas servem para que possamos voltar por alguns instantes para aqueles momentos tão bons ao qual vivemos. Elas não são necessárias, nem vitais, para essas recordações. Não devemos fotografar tudo, o tempo todo. Muito menos ficar filmando a vida que está passando pelos nossos olhos, pelo nosso corpo. São apenas grãos de areia na imensidão de uma vida, na plenitude de um momento.
Hoje sorrio. Sei que não sorrirei o tempo todo. Ninguém sorri o tempo todo. Isso seria uma doença, e não uma benção. Mas hoje eu sorrio. Sorrio ao lembrar de um passado tão próximo, com tanto amor e tanto carinho. Um passado bom, que fez com que eu chegasse aqui da forma que sou.
Pessoas importantes para esse processo já se foram, ficando vivas nas deliciosas memórias que as fotos reativam a todo instante. Outras ainda estão presentes, porém distantes. Outras estão aqui, ao meu lado, e vivo suas presenças com intensidade. Outra acabaram de chegar, e estão começando a fazer parte da minha história. E outras tantas virão.
Como são belos os campos. Como são belas as flores na primavera. Como é bela a terra mexida pelo arado. Como é bom o cheiro da terra molhada. Como são belas as folhas avermelhadas que caem no outono. Assim é a vida. Cada momento trás uma beleza única.
Sinto saudade. Do que vivi há 30 anos, há 20 anos, há 15 anos, há 5 anos, há 1 ano, há 1 mês, há uma semana, há um dia. Pelo simples fato que vivi.
Aquelas fotos apenas estamparam, em cores ou não, um pequeno quadro de uma grande obra chamada MOMENTO.
Devemos nos desafiar. Devemos nos arriscar, seguir nossos instintos. A cada passo que dou, não sei onde vou chegar. Mas também não sei onde chegarei ficando parado. Somos produtos de uma equação matemática com infinitas variáveis. Somos os filhos de indecifráveis mistérios.
Como é bom saber que existe vida inteligente. Lá fora, em outros lugares do cosmos? Eu acredito que sim! Mas é aqui, na cadeira ao lado, ou a uma sílaba de distância, a uma tecla, a um pixel, somos provocados. Provocados a pensar, a achar, a descobrir, a questionar, a sonhar, a querer, a desejar, a buscar, e encontrar, a errar, a acertar.
Jogamos dados para o alto. Eles caem na mesa. Caem fora dela. Caem na nossa cabeça. E as vezes, raras vezes, alguém segura esses dados com as mãos enquanto estão voando e joga de volta. Devolve-os girando no ar e nos desafia. Desafia a pegar os dados, a descobrir os números, a devolvê-los rapidamente. E assim começa uma partida muito divertida, ao qual não queremos que termine. Suave sabor das palavras escritas sob o véu do mistério.
Não são poucas as luzes que encontro pela estrada. Nunca estive só. Nunca caí na completa escuridão. Pois as velas que não se apagam mostram-me caminhos diferentes, e belos! E procuro, insistentemente, por novas luzes. É como garimpar. Encontraremos muitos pedriscos que apenas entrarão em nosso sapato e incomodarão nosso caminhar. Mas com persistência encontraremos algumas pedras preciosas.
E, quem sabe, o “coração do oceano”.
IMAGEM POR Daniel Eliashevsky | PEXELS