São Paulo, 17 de Setembro de 2021

Caro leitor, você já se sentiu possuidor de algo? Aquela casa “é minha”, aquele carro “é meu”. Mas vem a tempestade e destrói sua casa. Vem o ladrão de leva seu carro. Afinal, de que adiantou a “posse”?
Se com “coisas” já é errado, com pessoas então é simplesmente um absurdo. É totalmente falsa a sensação de posse. Ninguém “possui” ninguém. “Meu filho”, “Minha mãe”, “Minha esposa”. Acredito que você já disse uma dessas frases. Já teve essa sensação, de “controle”. Pobres de nossas almas. Padecem dessa mal. Quando menos esperamos isso nos é tirado. E ficamos sem nada. Por mais que os avisos tenham sido dados, nós não escutamos, e desabamos.
Ninguém “é” de ninguém.
Todos temos relações. Deveriam ser relações sinceras, reais. Devíamos saber ouvir e dizer. Devíamos ser mais honestos conosco e com os outros.
Vivi na falsa impressão de posse. E ao ser jogado na fogueira da verdade, queimei toda a pele. E continuo nela. Agora queimam os músculos e órgãos. Vai queimar até os ossos, até não sobrar nada. Dó pó que ficar quando o fogo apagar, se a chuva vier, pode ser que o barro se forme e dali nasça algo novo. Mas pode ventar ao invés de chover, e as cinzas se perderem para sempre, nunca mais formando uma unidade.
Seja mais sincero com você mesmo. Seja mais sincero com os outros. Aprenda a se expressar sem machucar, mas não se cale. Não tire a casquinha da ferida. Não fique cutucando. Deixe sarar. Deixe cicatrizar.
Tente ser apenas “dono” de si mesmo.
IMAGEM POR KELLEPICS|PIXABAY