DIA DOS NAMORADOS

São Paulo, 06 de Junho de 2022

Dia dos Namorados 

Daqui alguns dias comemora-se o Dia dos Namorados no Brasil. Fiquei refletindo sobre o que é o “namoro”. 

Não é a primeira nem a última vez que recorro a definição formal antes de evoluir em meu pensamento através das palavras escritas em um post. Pelo dicionário Oxford, namorar é “empenhar-se em inspirar amor a (alguém); galantear, cortejar” 

Acho valido, lindo, poético, mas acho pouco. Namorar, para mim, é conhecer. Por isso nunca deixamos de namorar, ou nunca deveríamos deixar de namorar, mesmo após o noivado e o casamento. E estou falando de namorar com a mesma pessoa escolhida, antes que os engraçadinhos de plantão comecem com piadas em suas mentes.  

No século passado usava-se o termo “paquerar” antes do “namorar”. Foi substituído pelo “ficar”. Não acho termos similares. Paquerar é o “ir ficando”, por assim dizer.  

“Ficar” apresenta um termo sem qualquer compromisso. Acontecem beijos, abraços, amassos, carícias e até sexo. Pronto, acabou a noite, o dia, o encontro, o momento, cada um foi para um lado e fim de papo. Nenhum relacionamento afetivo.  

Algumas pessoas dizem que estão “ficando” como uma mesma pessoa por diversas vezes. Ou seja, uma ou ambas as partes não querem se comprometer. Aí está o erro. Tudo dá errado quando começa errado. Se o namoro começa “pesado”, como pode resistir ao tempo? Se é necessário ir “ficando” ao invés de namorar, é porque algo está errado no conceito.

Pedir alguém em namoro é firmar um compromisso, um acordo. Como se ir “ficando” também não estivesse dentro de um acordo, o acordo de não precisar ser fiel, nem fazer planos, nem qualquer pergunta ou prestação de contas. É um acordo, só que em outros termos. 

As pessoas temem cada novo estágio do relacionamento. Noivado passar a ser um temor. Casamento uma prisão. Tudo errado…

Não é o namoro o problema, nem o noivado, nem o casamento. É a forma com que as pessoas encaram seus relacionamentos e as escolhas que elas fazem. Ou a falta de escolha. Ou a falta de coragem.  

Vamos olhar pela beleza, pela fantasia, pela poesia, pela emoção.  

Cada vez que alguém espera pelo encontro, pelo contato, pela conversa, pelo toque, essa pessoa já é feliz. A bela frase do Pequeno Príncipe “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz.” sintetiza bem o que estou falando.

Então quando duas pessoas estão ‘ficando’, elas também esperam por aquele momento. No namoro essa sensação fica ainda mais intensa. Cada programa marcado, cada encontro, cada ligação, cada mensagem de texto, tudo é intenso, acelera o coração, causa suor e agitação. É isso que procuramos. Por isso estar com alguém é tão bom. Por isso namorar é tão bom! 

Por que, com o tempo, as pessoas deixam de “namorar”? Por que deixam de “empenhar-se em inspirar o amor”?  

Devemos lembrar que mudamos. O dia todo, o tempo todo. Eu posso namorar alguém na certeza que todos os dias essa pessoa será outra. E eu também serei. Então todos os dias eu poderei me apaixonar por ela novamente. E farei de tudo para que ela também se apaixone por mim. E espero que ela faça o mesmo!

Se os casais namorassem mais, talvez conseguissem viver mais intensamente o amor. Relacionamento é confiança. É reciprocidade. É carinho, companheirismo e empatia. É desejo, amor e sexo. É passado, presente e futuro.

Muitos tentam exercer essas características. Uns mais, outros menos. Mas existe uma que falta para muitos casais: A leveza, a paz. Ser leve em um relacionamento é se desarmar, tirar o escudo de um braço e a espada do outro. É poder falar e ser ouvido. É poder ouvir o que o outro tem a dizer com amor, companheirismo e empatia. 

Se as regras estão claras (respeito, sinceridade, confiança), então o que dá errado? Dá errado porque as pessoas não seguem isso. Elas não fazem escolhas. Elas não se decidem. Elas querem tudo, ao mesmo tempo, e muitas vezes fora dos acordos estabelecidos. Se uma das partes está entregue e a outra não, é impossível dar certo.  

Eu sei. Está difícil seguir uma linha de raciocínio. Vou tentar por exemplos então. 

Um quer sair, o outro quer ficar. Eles dizem isso um para o outro? Muitas vezes não. Ou um fica emburrado ou outro sai emburrado. Outro exemplo. Um quer sair com os amigos, mas sem o companheiro.  E não porque deixou de gostar da pessoa, nem deixou de amar, nem de sair com ela, nem de ficar grudadinho no sofá vendo filme, nem que essa pessoas quer sair para trair. Nada disso. Só quer sair com os amigos, só isso. Alguém diz isso? Poucos, quase ninguém. Se existe a confiança, qual é o problema? Dá para perceber como a comunicação em um casal é falha? E a compreensão é mais falha ainda? É tanto melindre, tanto medo, tanto mimimi, tanto disquemedisque, que vem a ansiedade, o controle das palavras, a manipulação, a chantagem, o medo do outro, a depressão, o fim!  

E com isso tudo se perde muito. Perde-se a beleza, a atração, o romantismo, a conquista e reconquista eterna, perde-se o desejo, perde a alegria, o sorriso, o aconchego. Perde-se o equilibro. O bom passa a ser pouco dentro de tudo que é ruim. E tudo voa pelo ar como cinzas de uma bela fogueira que se apagou. 

Vamos namorar mais. Vamos nos empenhar mais em inspirar o amor. Veja que coisa linda! Inspirar o amor. O amor! Só quem vive o amor sabe o que ele é. Só que tem a honra de se apaixonar ciclicamente pode dizer o quanto isso é valioso.  

Já está na hora de tirar o peso das relações. Está na hora das pessoas namorarem pela vida toda. Inspirar o amor. Fique, namore, noive, case, dane-se o título da relação, mas não deixe de namorar seu companheiro. Não deixe de conversar, de compreender, de falar, de ser compreendido, de se abrir, de sonhar, de planejar, de querer. 

Daqui à alguns dias é Dia dos Namorados. Se você que está lendo esse texto está ficando, namorando, noivando, casado, lembre-se que dia 12 de Junho é apenas um dia. Um presente, um jantar, uma viagem, um motel, tudo isso é um momento. Namorar é para todos os dias, todas as horas, não apenas no dia 12 de Junho. 

Se você está lendo, está em um relacionamento e está infeliz, seja sincero com você mesmo. Faça uma escolha e assuma, seja ela a escolha de lutar pelo amor ou pular fora. Só não viva infeliz em um relacionamento. Isso só levará a dor e sofrimento para ambas as partes. Arranque logo o espinho do pé!  

E você que está solteiro, já aprendeu como VOCÊ é importante para VOCÊ mesmo? Como você quer estar com alguém se você não sabe o que você gosta ou quer da vida? Portanto, continue procurando alguém, mas antes olhe para dentro de si mesmo e descubra-se.

Uma hora a faísca acende, o cupido acerta a flecha. Todo namoro começa de algum lugar. Uma conversa, um galanteio, um passeio, uma aula, um serviço, um transporte público, uma conversa nas redes sociais. E nem tudo será namoro ou será ficada, nada disso! Muito poderá ser amizade ou apenas conexões. Não importa. Só não fique parado! 

Racionalize menos. Deixe o instinto te levar um pouco. Deixe o amor fluir, curta, viva, mas aprenda, entenda, mensure, valore e escolha. Não traia, não engane, não sacaneie, nem a outra pessoa muito menos você mesmo.  

Não existe nada melhor nessa vida que ser feliz. E ser feliz ao lado de alguém feliz é dobrar a felicidade, é ganhar na loteria todos os dias.  

Mas para ganhar, é necessário jogar. É necessário fazer escolhas. É necessário arriscar.  Namorar é se arriscar todos os dias. Se arriscar a se apaixonar! 

E o risco vale a pena. 

IMAGEM POR StockSnap | PIXABAY

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