São Paulo, 10 de Setembro de 2021

“Empatia”. Muitos textos falam sobre o que é a empatia, como ser empático, como ter empatia, definição de empatia, etc, etc, etc.
Ler é fácil. Entender nem tanto. Praticar é praticamente impossível.
Acontece que o sentimento “do outro” é “do outro”. Não é seu.
Aquele papo de “eu estou me colocando no seu lugar”, é pura balela.
Você por um acaso tem os mesmos “valores”? A mesma “experiência”? Já passou pelas mesmas coisas? Sofreu tal qual essa pessoa sofreu?
Algumas situações são teoricamente iguais: a morte de alguém querido, um trauma de mesma espécie, uma doença do mesmo tipo, o amor sentido ou perdido, a traição de todas as maneiras.
Mas quem disse que, mesmo sendo “igual”, ela “doeu” da mesma forma? Não, não deu! Para você e para mim ela COM CERTEZA doerá diferente. Em diferentes medidas, com diferentes comparações e relações, nos afetando por “tempo e espaço” de forma diferente.
Ou seja, esqueça! Você nunca vai realmente “sentir a dor do outro”. Ao menos que você seja uma espécie de mutante. O que acho pouco provável.
MAS….
Nada disso significa que você não deva RESPEITAR a dor do outro. O ponto é esse, RESPEITO.
Você já teve dores e alegrias da vida. Então ESQUEÇA a comparação entre você e o outro. Não tente usar os seus valores e sua história para dizer que entende o que ele sente. Entenda que o sentimento para ele é real, imenso e intenso. Seja a dor ou a alegria, aquilo é verdadeiro para a outra pessoa. Respeite isso.
Se a pessoa está com uma dor profunda, do corpo ou da alma, respeite a dor dele. Dê a ele o tempo e o espaço necessário para lidar com isso. Dê seu apoio com puder, como o outro permitir, mas não tente “invadir”. Não tente mudar de fora para dentro o que a pessoa sente. Lembre-se que você também já teve dores, de qualquer espécie. E teve o seu tempo, sua forma de lidar com aquilo.
Empatia está no respeito, na compreensão. Respeite isso.
Foto por JacksonDavid|Pixabay