São Paulo, 24 de Setembro de 2021

Amigo leitor.
Eu sempre soube que apenas as “experiências na vida” nos trazem as “experiências de vida”. Isso é fato. Viver isso é uma benção e uma maldição.
Quando uma pessoa querida morre, com ela termina um ciclo. Uma parte de você vai junto. E com ela uma parte do seu próprio futuro. Todas as emoções e experiências que você ainda poderia viver com aquela pessoa, você não poderá viver mais. Cada um tem seu período de luto onde precisa entender como viver sem aquela pessoa, e ter forças para continuar com sua própria vida, pois ainda há muito por se viver. Essa é uma situação finita. Aprender a lidar com ela é muito difícil, e muitas vezes precisamos de auxilio profissional e medicamentoso. Apoio dos que ficam é essencial para superar.
E quando o que morre é nosso futuro? O futuro desejado, o futuro planejado? Como superar a morte de algo que não aconteceu, que não viveu, que você não teve? Fatos e acontecimentos podem fazer o futuro desmoronar. E essa avalanche pode levar seu presente junto. As poucos, ao invés de entender o presente como lhe é apresentado e tentar projetar um novo futuro, o gosto pelo presente vai desaparecendo. Quando chega esse ponto, vivemos apenas para cumprir as obrigações. Trabalhar, comer, dormir, arrumar, limpar. O sorriso amarelo no rosto, fechado, é apenas um reflexo de uma graça que foi concedida por instante, por um breve instante: a graça de esquecer o passado e o futuro naquele pequeno momento presente.
Nessa hora tudo perde o sabor, a cor, o som. Nada mais importa. Esperamos ter uma vida inteira pela frente, e que ela se desenrole de uma forma ou de outra. Mas essa sensação de falta de rumo, de estar totalmente perdido, de que lhe foi arrancada a certeza base ao qual construiu todo seu sonho de futuro, pelo qual acordava, lutava e dormia todos os dias, essa sensação de falta é atordoante. Nessa hora perdemos nosso bem mais precioso: A motivação.
Nessa hora, o futuro está morto.
FOTO POR Comfreak|PIXABAY