A ARTE

São Paulo, 12 de Dezembro de 2021

Tenho pensado muito na arte. Em todas as suas expressões, suas variações, suas alternativas, alternâncias e sua importância.

Em 11 de Dezembro de 2021 tive a oportunidade de presenciar a arte em seu estado mais puro. No templo da música, a sala São Paulo, assisti á apresentação da “São Paulo Chamber Soloists” (@saopaulochambersoloists), uma camerata de 14 músicos excepcionais: 1 contrabaixo, 3 violoncelos e 10 violinos. À essa apresentação, ao qual já não teria adjetivos suficientes para os merecidos elogios, agregou-se à arte dos solistas Nailor Proveta (@nailor_proveta – saxofone) e Fabio Martino (@fabiomartino_pianist – pianista), e, claro, o diretor da camerata, Alejandro Aldana (@alejandroaldanaviolin – violino). Não há palavras para descrever a beleza e a entrega de cada um dos 16 instrumentista às obras apresentadas. E ainda fui agraciado com algo novo, uma composição inédita, moderna, de um brasileiro, Alexandre Guerra (@alexandreguerracompositor), presente à plateia.

Por desejo meu, fui à primeira fila. Local onde é possível sentir a emoção de cada músico na expressão de seu olhar e nos movimentos de palco, e escutar sons aos quais de longe não é possível distinguir: O abrir e fechar das partes do saxofone, os dedos nas teclas do piano, o bater na corda de cada instrumento. Neto de sanfoneiro que sou, banho minhas mais doces lembranças desses sons na memória dos que meu avó imprimiu por mais de 80 anos nas teclas e baixos de sua “Todeschini super 8 120 baixos vermelha” com seus dedos largos e fortes do trabalho duro de pintor de paredes.

Também ali, na primeira fila, de frente ao palco, ao primeiro acorde da primeira música um senhor pegou um bloco de folhas grandes, um bloco para desenhos. Pegou um conjunto de lápis, entre eles pretos e coloridos, e começou a desenhar conforme a música fluía em seus acordes. Foi incrível. Foi sublime. Foi poético. A entrega de cada instrumentista no palco, o lápis que corria a folha para transcrever em traços pretos e coloridos a sensação e emoção daquele momento para cada um dos presentes. Esse artista ao meu lado é Paulo Von Poser (@paulovonposer), ao qual tive o prazer de cumprimentar e ver sua arte ali criada, naquele instante.

À mim, coube a benção de presenciar o que acontecia diante de meus olhos e meus ouvidos.

Em 12 de Dezembro de 2021, eu tive a honra de presenciar, virtualmente, o concerto de fim de ano de uma escola musical chilena, a convite de uma grande amiga, tão importante para mim nesse momento, @katiadietrichdamiao, ao qual cantou lindamente “Time to say goodbye”, entregando sua arte e sua alma sobre aquele palco em um verdadeiro deleite para meus olhos e ouvidos . Nesse concerto havia crianças, jovens e adultos. Todos ali, cada qual em seu estágio, cada qual individualmente apresentando para seus amigos, familiares e para o mundo sua arte. A coragem de cada um, a persistência, a resiliência, é admirável.

Ali podem estar novos expoentes da música. Novas artistas como “Sarah Brightman”, novos solistas como os que vi na sala São Paulo. Todos tem essa capacidade. Todos tem seus sonhos, e seguirão na busca por eles dia a dia. Uns ficarão pelo caminho, pois a vida artística é muito difícil. Mas lutarão. E sobretudo, serão felizes, pois a felicidade está em cada nota, em cada treino, em cada aprendizado, no diário da arte em suas vidas.

Muitos desdenham da arte, em grande parte “bancada” pelas instituições governamentais (nosso dinheiro, e não deles). Dizem que é um dinheiro público jogado fora. Pobres almas vazias. Eu estava no dia 11, com ingresso gratuito distribuído pelo governo para quem desejasse, no mais belo dos lugares da minha amada cidade, sentindo a arte fluir em minhas veias, ativando os 5 sentidos, o sexto, o sétimo. E estava “lá”, virtualmente, no dia 12, vendo tantas pessoas se entregarem de corpo e alma à sua arte, e encantar a todos.

Música, canto, teatro, dança, pintura, desenho, escrita, fotografia, artes plásticas, escultura, enfim, todas as artes são expressões da mais profunda essência de seus autores. E a mágica é justamente como essa arte tão sublime tem a capacidade de atingir em cheio os corações e mentes dos que são agraciados pelo seu toque. A mesma arte apresentada à cada pessoa gera interpretações e sensações distintas, e isso que a torna tão incrível.

Eu sou apenas um reles “escritor amador”. Mas faça das palavras que fluem pelas pontas de meus dedos a expressão de meus sentimentos. Atrevo-me a também chamar de “arte”.

A arte é realmente a sublime expressão da alma. Ela eleva o ser humano á outro patamar, os que produzem e os que dela bebem. Nos aproxima do Divino, seja ela o que for.

Viva a arte!

Foto por Russell_Yan|Pixabay

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