São Paulo, 24 de Setembro de 2021

A força física definiu, nos primórdios da humanidade, que o homem seria o “ser dominante” sobre a mulher. Era uma questão de imposição. Os instintos de sobrevivência determinavam que os homens caçavam e protegiam as tribos, e as mulheres cuidavam da prole.
Milhares de anos se passaram. As mulheres tiveram muitas conquistas. Muita sim, não o suficiente. Elas ainda são discriminadas por serem mulheres. Discriminadas apenas por isso, sem nenhum outro motivo. Apenas por “serem” mulheres. Salários menores nos mesmos cargos com mesmas atribuições e responsabilidades na mesma empresa. São motivos de piadas e chacotas sobre a execução de centenas de tarefas, de dirigir um carro á uma empresa. Por estatística são as melhores cozinheiras, mas os “chefs” renomados são homens. Puro preconceito.
Está enraizado. Uma pecha que a sociedade carrega. Em todo o mundo. Esse ponto jamais deveria ser “cultural”. Devíamos ser iguais e termos todos o mesmo valor. Cada qual sendo apenas o que é dentro de suas possibilidades, independente do sexo biológico ou orientação sexual.
E mesmo com tudo isso, com toda essa luta das mulheres pelo mundo (e também de alguns homens), vejo o tempo todo fotos, vídeos, textos, piadas e comentários “objetivando” a mulher.
A mulher poder ser o que ela quiser, se vestir e se maquiar como desejar. Mas a “mídia”, a “porcaria” da mídia, que é alimentada e realimentada por “burburinhos”, dá o destaque para “aquela roupa”, “aquela audácia”, “aquele escanda-lo”. E isso também está no meio masculino. O corpo sarado, desnudo, é a notícia. É o que querem ver. É o objeto de desejo. Mesmo que seja para “lamber com os olhos”.
Se a mídia não parar de dar destaque e notícia para isso o fomentar essa indústria podre de pensamentos arcaicos, nunca conseguiremos construir uma sociedade igual, onde o valor da pessoa, ou seja, o quanto essa pessoa se destaca e o quanto ela pode ter sucesso pessoal e profissional, seja medido pelos VALORES dela, e não pela sua aparência.
Estamos longe de retirar essa “objetivação” da sociedade. Ainda vivemos pelas “aparências”, sejam físicas ou sociais. A aparência ainda dita as regras.
E a nós, que temos um pingo de pensamento, cabe ir contra!
FOTO POR Kiwi1963|PIXABAY