São Paulo, 09 de Maio de 2021

Em um momento estamos bem, sorrindo, brincando. E no momento seguinte fechamos a cara, entristecemos, emudecemos.
Muitas vezes essa mudança repentina é por algo que vemos. Outras pelo que escutamos. Outras por algo que lembramos. Mas a grande maioria é pelo que pensamos, pelo que sentimos.
Somos feitos de dúvidas e certezas. Essa é a vida de um ser humano. Temos a capacidade de pensar, de raciocinar. Não fomos feitos apenas para comer e procriar (trabalhar é necessidade básica para termos o que comer e para poder alimentar nossos filhos).
Somos seres muito complexos. Temos a faculdade mental para tomada de decisão, de escolha. Mas temos nossos sonhos, dos superficiais que todos sabem, aos profundos que nem nós mesmos entendemos e aceitamos.
Temos medo. Medo do risco, medo do novo, medo da mudança. É cômodo estar onde estamos, permanecermos ali, naquele estágio da vida. Mas a vida não permite. Somos seres com desejos. Somos seres que vivemos em sociedade. E seja por nossa conta ou por conta de conhecidos ou desconhecidos sempre somos forçados a nos mexer, a sair da inércia.
Muitas vezes é por escolha. Outras é por falta de escolha. Mas escolher é uma tarefa difícil por si só. E nos momentos de dúvida, de apreensão, de aperto no peito, recorremos à algo. Algo, nesse caso, pode ser uma infinidade de coisas: Álcool, drogas, calmantes, orações, músicas, livros, escrita, pintura, vídeo game, canto, passeios, família, amigos, e outras inumeráveis alternativas.
É muito difícil lidar com a dúvida, com o medo. Porque não podemos viver “mais leve”? Será que devíamos nos cobrar tanto? A questão é justamente a ação, e a dúvida perante a ela. Fazer ou não fazer? Agir ou não agir? Falar ou não falar? Depositar nossa esperança, nossos sonhos e nossos desejos em uma força intangível que apenas acreditamos pela fé, ou correr os riscos, tomar uma decisão, e arcar com as consequências?
Será que viver é difícil ou nós que complicamos? Será que procuramos por problemas? Por que nos antecipamos? Por que não deixamos as coisas acontecerem e vejamos onde vai dar? Não estou falando em ficar “Sentado no meu apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar”, como dizia Raul Seixas, mas sim de viver as pequenas aventuras e decisões diárias, e não se programar tanto, não se planejar tanto, não ser refém dos desejos e sonhos.
Não sei ao certo. Não sei se vivemos na dúvida ou na certeza.
Só tenho uma certeza: Que temos muitas dúvidas.