ONTEM, MAIS UM

São Paulo, 05 de Maio de 2021

Ontem perdemos mais um. Mais um grande homem, um grande ser humano. Mais uma alma que perde-se desse corpo para todo sempre.

Ontem perdemos mais uma pessoa que nos fazia rir, nos fazia sentirmos vivos. Uma pessoa boa, um ser de luz, que tinha a paz, que trazia a paz, mesmo em toda sua energia.

Ontem perdermos. Perdemos um pouco de nossa alegria, perdemos um pouco de nossa esperança, um pouco de nossa crítica, um pouco de nós mesmos refletidos nele.

Ontem, 04/05/2021, perdemos Paulo Gustavo, 42 anos, ator, comediante, pai, marido, filho, irmão, amigo. Fará falta, muita falta.

Mas anteontem, 03/05/2021, também faleceu o Bruno, 42 anos, pai de um filho de 4 anos, marido, filho, irmão, amigo. Bruno também lutava, assim como Paulo, pela bem dos outros. Se um fazia rir, outro tirava a dor. O efeito era tão bom quanto. Bruno era farmacêutico, em frente à casa de meus pais, zona leste de São Paulo. Gente boa, gente simples, gente humilde. Que cuidou, como Paulo, com tanto carinho e dedicação de sua missão. Mas que, como Paulo, não teve a oportunidade de tomar a vacina. E teve que continuar trabalhando, se arriscando, para levar o ganha pão para casa. E, como Paulo, talvez estivesse vivo, com sua família, seus entes queridos, seus amigos, trazendo a alegria para tanta e tanta gente, se o governo do Brasil tivesse levado a sério a pandemia desde o começo, tivesse apoiado o distanciamento, o uso de máscara e usado tudo que podia para trazer a vacina o quanto antes. Eles tinham 42. Estamos vacinando agora pessoas com 60. Por pouco. Muito pouco. Mas, infelizmente, não tem volta, nem para o Paulo, nem para o Bruno.

Mas perdemos muito mais que isso. Perdemos outros milhares, sim, milhares de Paulos, de Brunos, de Olindos, de Marcos vulgo “Banana”, de Gustavos, de Marias, de Josés, e tantos e tantos outros.

Ontem, 04/05/2021, perdemos mais de 3.000 Brasileiros, 3.000 vidas, 3.000 filhos, 3.000 mães, 3.000 pais, 3.000 amigos, 3.000 irmãos. E já são mais de 415 mil. 415.000! E não vai parar por aí. Infelizmente não. Chegaremos a 500.000, 600.000, e não sabemos onde essa conta irá parar.

Ontem perdemos. Anteontem perdemos. Hoje perdemos. Amanhã perderemos. Mas, como Paulo, como Bruno, como Olindo, como Marcos, não deixaremos de lutar. Não deixaremos de viver, por nós e por eles.

Paulo, do céu, que com certeza é onde está, derrame seu riso em nossos corações, para aliviar tanta dor desse momento. Bruno, do céu onde com certeza está, coloque juízo na cabeça dos que não dão importância á um organismo tão minúsculo, mas que faz estragos colossais.

A nós, resta apenas lhes agradecer.

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