Redes “sociais”. Tema recorrente para mim para muitas outras pessoas que analisam o comportamento humano.
Interações sociais existem desde sempre. Todos os seres vivos interagem socialmente. Até plantas interagem entre si. Organismos simbióticos também interagem. Interagíamos antes de sermos “homo sapiens”, e interagimos muito mais depois dessa transformação (esse ponto da história eu faço questão de abordar em um próximo pensamento).
Com a popularização e acesso a internet, encontramos novas formas de nos relacionar. São formas “solitárias”, ao qual nos escondemos atrás de imagens e caracteres. Perdemos até a “fala”, tão popular na era do telefone. Ganhamos muito. O mundo deixou de ter fronteiras. O idioma, por pouco tempo, ainda é um limitante. Mas a tecnologia avança velozmente para alcançar a ficção, e, em breve, seja por texto ou fala, os “tradutores universais” darão conta de conversas fluídas entre não nativos ou não instruídos em outros idiomas. Mas também perdemos muito. Perdemos a capacidade de ver, de sentir, de ouvir. A linguagem do corpo se perdeu. A “realidade” (que já era notoriamente maquiada), agora tornou-se ficcional. Somos quase “avatares” de nós mesmo.
Devo agradecer as redes sociais. Através delas conheci a pessoa incrível ao qual me relaciono hoje. Mas a rede foi apenas a “ferramenta”. Para esse encontro, foi necessário saber como utilizar a rede e, principalmente, ter discernimento e “filtro”. A rede também foi uma grande companheira por meses. Qualquer momento livre era preenchido pelas infindáveis informações, fotos e posts das redes.
O que me levou a ter esse pensamento foi a percepção da não necessidade da rede. Cada dia menos abro as redes. Utilizo-as especialmente para postar meus textos, pensamentos, poemas e fotos artísticas. Isso pela minha vontade de espalhar esse conteúdo, de provocar, de indagar. Sou extremamente grato as pessoas mais diversas que conheci através das redes. Mas foi por vontade minha, por total “cara de pau” de puxar assunto. Novos amigos vieram, e vieram para ficar. Também me descobri ciclista e conheci uma turma ao qual me identifico. Encontrei um “lugar” meu ao qual nem sabia que existia. E mais pessoas e satisfação pessoal surgiram.
Eu usei a rede ao meu favor. Tinha um propósito, e, através desse propósito, cheguei aonde desejava. Hoje ela não é mais “necessária”. Permaneço entrando com frequência, mas em tempos cada vez mais diminutos. Graças aos algoritmos das redes os assuntos me apresentados são aqueles de alguma relevância para mim.
A redes não são os demônios que estigmatizei outrora. Elas são ferramentas (claramente capitalista e materialista, é claro). Mas são uteis se bem utilizadas. Devem ser gerenciadas por nós mesmo, devem ser ensinadas. Elas nos mostraram aquilo que procuramos. Elas tem a capacidade de potencializar o melhor e o pior de nós. Ela traz a possibilidade de monstros se exporem, seguros pela distância entre as telas.
Descobri que o demônio não fez as redes. O demônio apenas vive dentro de nós. Cabe a nós deixá-lo longe de nossas telas.