SONHOS DE UMA NOITE QUALQUER

São Paulo, 30 de Maio de 2022

Qual será o real significa dos sonhos? Serão eles presságios? Contrários? Medos? Desejos? Pura química?

Não sei dizer. Muito se diz sobre os sonhos. No campo da fisiologia, no campo do estudo da mente, no campo metafísico, no campo espiritual, no campo exotérico.

Não quero discutir ou aventar as possibilidades do que o sonho é ou o que ele significa. Tenho certeza que para isso encontrarei centenas de estudos em diferentes direções, e que preciso ler muito mais para entrar nessa discussão. E cada um desses estudos, ou todos juntos, podem dar um maior significado desta produção de sonhos em nossa mente.

O que me assusta é o que sentimos com eles.

Por muitas vezes acordo com os sonhos vívidos na mente. De certa forma, é como se tivesse vivido aquele momento. Não deixa de ser verdade, ao meu ponto de vista.

Tudo que vivemos fica em nossa mente. O presente é apenas um breve instante. Após sua inevitável passagem, tudo é lembrança, tudo é memória. Ao acordar e lembrar de um sonho, o impacto mental é o muito similar ao que qualquer lembrança. Ou seja, no fim, as delícias ou dissabores dos sonhos são tão memórias quanto os fatos reais que nos acontecem.

Isso faz com que, por vezes, acordemos sorrindo, por vezes chorando, por vezes confiantes, por vezes com medo.

Alcançar um desejo em um sonho e lembrar dele nos faz sentir o sabor dessa conquista. Como o material, o sólido, o palpável é algo menor em nossa mente que o sentimento que ele produz, de certa forma atingimos aquela sensação e temos em memória como foi bom aquele momento.

Mas as perdas e dores são tal qual impactantes. De certa forma, por vezes o sonho realiza os medos conscientes e inconscientes.

Por mais que nossa consciência nos indique o tempo todo o que tem real valor para cada um de nós, muitas vezes negligenciamos esses sentimentos. Por escolhas – já que tudo na vida são escolhas – perdemos momentos que gostamos. Nada é mais importante que o momento. Nada é mais importante que o viver. É ali, no momento, que vamos estar com aquela pessoa ao qual nos importamos. É ali, pessoalmente ou virtualmente, que podemos nos conectar e criar memórias “reais”, e não apenas as sonhadas. Tudo é momento.

Quando sonhamos com momentos bons, é maravilhosa a sensação. Quando sonhamos com perdas e derrotas, ao qual muitas vezes chamamos de pesadelos, somos forçados a rever nossos padrões, importâncias e escolhas. Nos sonhos não temos o fator “tempo”. Isso faz com que tudo seja ali, presente, na hora, sem planejamento, sem ponderação, se imaginar as escolhas, as causas e consequências.

A morte é o fim de uma jornada. É quando deixamos de poder compartilhar momentos e criar memórias com as pessoas ao qual nos importamos. Em sonhos continuaremos a criar esses momentos. Novas aventuras, novas conversas, novas sensações. É incrível e delicioso. Mas quando no sonho perdemos alguém, e as vezes diversas pessoas ao mesmo tempo, acordamos com a certeza de quanto aquelas pessoas nos importam. É nessa hora que acabamos analisando nossos atos e escolhas da vida “real”, dessa que levamos acordados.

Quando acordar e tiver essa sensação, a sensação do medo de perder alguém que lhe é precioso, reflita se você está dando a importância, acordado, que essa pessoa tem para você.

O sonho pode ser um milhão de coisas. E com certeza possuí um milhão de explicações. Tal qual a realidade “acordado”. Portanto, importe-se com os momentos que vive, e com as pessoas ao qual escolhe passar seu tempo. Nenhum tempo é “gasto”. Todo tempo é apenas vivido.

Viva sua vida de forma que possa ter memórias sem arrependimentos, e não apenas sonhos do que não aconteceu.

IMAGEM POR MO | PEXELS

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