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São Paulo, 16 de Janeiro de 2022

Em poucos meses escrevi mais de 150 post aqui, nesse blog.

São posts variados. Pensamentos, poesias, contos e textos pessoais.

Todos com algo em comum: O que sinto, o que penso e o que vejo do mundo.

Não sei, novamente, se alguém lerá o que escrevo nessas “mal traçadas linhas”. Talvez só eu leia. Talvez mais alguém leia. Mas acredito que “certo alguém” jamais lerá.

Não serei breve. Muito menos coerente. Apenas preciso escrever para, novamente, não enlouquecer.

Estão sendo meses difíceis. Quem vê o que desejo mostrar em minhas redes sociais pessoais vê um cara que está vivendo. Vivendo intensamente. O esporte, a arte, a cultura, o lazer. Saindo, indo, fazendo, acontecendo. Das mais variadas formas, nos mais variados dias e horários, mas com predileção ao fim de semana, durante o dia.

Quem vê pode pensar: Essa cara tá bem! Tá feliz. Aproveitando a vida.

Pois é.

Será?

Como é complexo o ser humano. E como eu, como humano, sou complexo.

Grande parte da ansiedade que me consumia desapareceu. Preocupações, tensões, stress, melindres, “gestão de risco e de crise”. Tudo isso desapareceu. Sou eu, comigo mesmo, no agora. Apenas no agora. E com isso as doses diárias que remédios diminuíram. E as doses de álcool também.

Adoro “desejar”. Não significa “planejar”, mas sim “querer”. O vazio me consume a alma. Então penso em algo que quero fazer. Em “diversos algos”. E a cada noite (após o expediente) e a cada fim de semana, eu vejo como me sinto ao acordar e sigo o que tiver vontade. É bom, é libertador.

Mas mesmo assim, não estou bem. Não estou feliz.

Difícil explicar.

Mais difícil ainda entender.

Foram 21 anos de união. De paixão. De amor. De companheirismo. De amizade. De cumplicidade. De tudo! 7 de namoro e 14 de casamento. 21 anos onde dia e noite era com ela que eu dividia tudo. E com quem queria dividir ainda mais. Passeios, filmes, séries, comida, família, trabalho, descanso, aventura, esporte, amigos, sonhos. Dia e noite com ela.

E não cansei. Não enjoei. Parece incrível, mas é a pura verdade.

Agora, quando estou “vivendo” uma experiencia, queria estar compartilhando com ela. E quando vejo ou vivo qualquer coisa, quero falar para ela. Quero mandar mensagem, quero ligar, que compartilhar. E não faço. Sempre a respeitei. Agora não seria diferente. Se ela quis assim, não cabe a mim fazer diferente.

As experiencias todas estão sendo muito boas. Tantas coisas que eu voltei a fazer. Talvez ao ler esses textos e tantos outros você possa pensar algo do tipo: Ela não o deixava fazer, por isso agora ele faz.

Errado!

Nela eu tive meu maior apoio. Tudo que eu queria, ela apoiava. Das coisas mais bobas as mais doidas. Se eu não fiz foi na imensa maioria das vezes porque eu queria fazer com ela. E, parecia ao menos, que ela queria fazer comigo. Só não conseguia. Então eu aguardava.

Mas a questão é o quanto eu quero agradecer. Mesmo. Quero usar esse espaço, esse texto, para agradecer.

Sou grato. Grato por ter tido a vida que tive. Talvez você, que leia esse texto, ache isso tudo besteira e hipocrisia. Eu sabia o que eu tinha. E gostava. Muito. O que eu tinha era tão intenso, tão belo, tão verdadeiro, tão real, tão sincero, tão integral, que agora me faz uma falta danada.

Você viver 100% do seu dia, todo dia, com uma pessoa? Parece surreal para você, nobre leitor? Insano? Doente? Horrível?

Para mim não era.

E o tempo que eu não estava, eu queria estar. E agora, que não estou, percebo quanto era verdade o que eu sentia. Se não fosse, agora eu não sentiria a falta que eu sinto. Por isso, obrigado. Foi incrível. Acho pouquíssimo provável que eu volte a ter algo parecido com isso um dia. Espero voltar a amar e ser amado. Mas, sem dúvida, eu estou mudando. E ninguém é igual e ninguém (viva engenheiro do Hawaii).

Chego à conclusão que eu ainda não aprendi com a vida. Nem a viver. Se eu era tão feliz, por que então era tão ansioso, beirando o depressivo, tão hipertenso, tão nervoso, necessitando cada vez de mais remédios e álcool?

Hoje, eu elenco dois motivos. Porque eu queria que ela voltasse a ter saúde física e mental, voltasse a ser feliz, e por mais que eu tentasse de tudo, não foi possível. E essa sensação de impotência me matava, vendo a mulher amada, minha companheira de mil vidas, definhar, cair em um abismo sem fim e eu não poder fazer nada. E o segundo era pela espera. A espera de que as coisas mudassem, que fosse possível voltar a VIVER intensamente com ela, ter sonhos, desejos, vontades, planos.

Talvez ela não seja mais aquela pessoa que viveu aquela vida comigo. Talvez eu também não. Mas então por que está tão difícil agora? Por que essa vontade quase incontrolável de ligar para ela, mandar mensagem, ir até lá, abraçar, beijar, dormir segurando sua mão, falar sobre tudo? Por que essa vontade imensa de chorar, mesmo sabendo que de nada adiantará?

Não sei.

Talvez isso uma hora passe. Talvez eu consiga aprender a viver intensamente as coisas sem essa vontade louca de compartilhar com ela, de estar com ela vivendo as coisas. Talvez eu encontre outra pessoa parecida comigo que queria compartilhar essas sensações. Só não sei ao certo quais. Se pedirem para eu me definir, eu não saberia. Quem sabe se eu ler os textos e ver meus posts nas redes sociais em descubra quem eu sou?

Será que eu gostaria de viver comigo?

Está aí uma boa pergunta. Vou ficar com essa por hoje.

FOTO POR Tim Douglas|PEXELS

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