São Paulo, 05 de Janeiro de 2022

Não sei quem, ou melhor, quando, foi cunhada a expressão “cara metade”, ou o conceito de que todo mundo tem uma “metade” em algum lugar, esperado por você. A tampa da sua panela. E por ai vai. Passamos muito tempo escutando, lendo e assistindo isso. Existe uma busca incessante e quase doentia por isso. Não que eu seja totalmente contra esse pensamento. Tem seu valor. Mas ele trás consigo um problema que, a primeira vista, passa desapercebido.
Se estamos procurando nosso “50%”, significa que nunca poderemos ser “100%” sozinhos.
É ai que a matemática mistura com a filosofia, e tudo vira uma grande salada.
Nós somos seres completos. Somos inteiros. Tenha você seus defeitos e qualidades, suas bondades e maldades, suas conquistas ou derrotas. Não importa. Você é inteiro você, sempre. O que buscamos em nós mesmos é sempre nos sentirmos “completos”. Ou seja, que nossos 100% sejam 100% realizados. Por isso sempre queremos mais e melhor. Queremos aquela sensação inexplicável de prazer que cada um sabe como encontrar. E muda com o tempo, é verdade. Algo que lhe trazia prazer em um determinado momento, pode não trazer em outro. Somos mutantes em nós mesmos, o tempo todo. Buscamos sempre nos sentirmos bem, nos sentirmos felizes. As vezes escolhendo caminhos errados, que trarão arrependimentos futuros, mas que no momento ao qual foram escolhidos, atingiram seus objetivos, e fomos felizes.
Então voltemos à “cara metade”. A cada “ser” que convivemos “soma” nessa equação. Viver e conviver com uma pessoa é permitir a busca pelos 200%. Claro que, para isso, ambos precisariam estar em 100%, o que é praticamente impossível (pelo menos o tempo todo). Só que nessa equação a “soma” não é o único operador matemático. Existe a subtração, a divisão e a multiplicação.
Multiplicamos ao “crescer”. Ter filhos, adotar animais, ser empresário e contratar funcionários. Multiplicamos os valores e os prazeres, multiplicamos nossas alegrias e tristezas. O que bagunça um bocado nosso percentual, mas acelera vertiginosamente a variação. É quando vc pode estar ali, com 5%, mas alguém chega em você e está tão alegre que te contagia pelos outros 95%!
Dividimos da mesma forma que multiplicamos. Dividimos conquistas, realizações, sofrimento.
E por fim subtraímos. Para mim, o operador que transforma essa equação em uma “equação impossível”.
Não é direito de ninguém “subtrair” do outro. Subtrair a alegria, subtrair a vida, subtrair a energia. Quando temos um relacionamento que “subtrai”, ele está fadado ao fracasso. Você não chega ao seu 100% e impede o outro de chegar nos 100% dele. Não existe relacionamento perfeito. Isso é fato. Nem nós chegamos no nosso 100%, imagina a soma chegar nos 200%.
Lute pelos seus 100%. Busque alguém que também lute pelos 100% dela, e que possam, juntos, somar, multiplicar e dividir. Mas se afaste das subtrações. Elas matam.
IMAGEM POR geralt|PIXABAY